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Empreender | Sobre adaptação.

Muito tem se falado sobre nomadismo digital, sobre ser dono do próprio tempo, ter horários flexíveis e trabalhar na hora que você é mais produtivo. Acho tudo isso muito lindo e incrível. Tanto que abri mão do salário fixo no fim do mês, pelo risco mensal de empreender. E antes de mais nada, não me arrependo nem 1%.

Sempre ouvi dizer e também sempre pensei que “se acostumar com o que é bom é muito fácil”. Né verdade? Acho que vocês também já ouviram um pouco disso. Mas tenho aprendido que nem sempre. Nunca pensei que eu fosse ter tanta dificuldade de me acostumar a ter um horário flexível, por exemplo, e isso me fez refletir sobre os nossos parâmetros de felicidade.

Imagino que isso de tempo flexível nunca foi apresentado a mim, em nenhum momento da minha vida. Eu estava lendo dias desses, um artigo no Medium que listava alguns motivos desastrosos de colocar uma criança numa escola tradicional. E como dizia uma parte do texto, “a gente não precisa do gigantesco arsenal adicional de cobranças e frustrações (perfeitamente evitáveis) que a Escola impõe”. Pois isso reverbera pro restante das nossas vidas, como tem acontecido comigo.

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Aprendemos a acordar todos os dias no mesmo horário, para frenquentar um local nada atrativo, para aprender temas, muitas vezes, de maneira menos atrativa ainda. E isso continua até o fim das nossas vidas. Na faculdade, e depois no trabalho. Mas é tão natural, né? Que a gente nem se questiona.

Mas e agora, que você pode ter um horário flexível? E agora que você pode acordar às 9, em vez de 6:30? E daí se você tá trabalhando da sua casa, de shorts e camiseta? Nunca foi tão difícil me adaptar a uma nova rotina como agora. Bate uma culpiiinha… De não estar seguindo os padrões certificados e aprovados pela maioria. Mesmo cumprindo um dia de trabalho mais produtivo que qualquer momento da minha vida.

E agora? Se você também vive esse mesmo dilema que eu, tudo o que nós temos a fazer é entender que ter horário flexível, embora muito sedutor, NÃO é uma fórmula para uma vida feliz.

Ainda assim, acho que deve ser difícil acreditar que uma pessoa que tenha horário flexível e trabalha com o que gosta, passe por esse tipo de conflito. E se tem uma coisa que eu aprendi nos últimos nove meses, é que não dá para ter tudo na vida. Para conseguir uma coisa, é preciso abrir mão de alguma outra coisa. Não existe exceção. Ao escolher uma, você está renunciando a outra. E entender que felicidade é sofrer pelo motivo correto e isso te deixa contente. Eu não preciso ser movida pelo “o que deu certo” ou “o que deu errado”, porque tudo o que passamos é o caminho que nos ajusta. Tudo é crescimento, tudo é necessário. 

Sabe por que? A felicidade não está em evitar as coisas ruins e buscar uma vida perfeita e sim, em aceitar que isso é inevitável.  :)

Quem concorda? Vocês também vivem algo parecido? Queria conhecer um pouco a experiência de vocês em relação a esse tema.

  1. Felipe Spinardi

    17 de novembro de 2015 at 12:28

    Estou vivendo algo parecido com isso pela primeira vez na vida…tenho 20 anos e larguei meu trabalho de diretor de arte em uma agência e estou tentando tocar a vida de "ganhar dinheiro com freela" e "estudar o que eu gosto:ilustraçao". Mas ultimamente quando me pego em casa fazendo algo que não seja trabalhar ou estudar, fico desesperado achando que estou perdendo tempo, afinal, eu devia estar trabalhando "batendo cartão".
    Não sei se tem muita relaçao com o post, mas isso esta me incomodando faz tempo hahahahha

    1. Myrella

      17 de novembro de 2015 at 10:28

      Na verdade tem TUDO a ver com o post, Felipe. hahaha
      Esse sentimento que você tem de “estou perdendo tempo” é uma ilusão e uma armadilha da nossa cabeça, por causa do nosso costume de bater o cartão em certo horário pré-determinado. :)

      Precisamos desse detox de padrões. Se está sendo produtivo, não tem motivo pra gente se sentir assim, né? Que você possa medir seu dia por produtividade, não por horas trabalhadas. o/ Boa sorte pra gente. Obrigada pelo comentário.

  2. Felipe

    17 de novembro de 2015 at 9:47

    Estou vivendo algo parecido com isso pela primeira vez na vida…tenho 20 anos e larguei meu trabalho de diretor de arte em uma agência e estou tentando tocar a vida de “ganhar dinheiro com freela” e “estudar o que eu gosto:ilustraçao”. Mas ultimamente quando me pego em casa fazendo algo que não seja trabalhar ou estudar, fico desesperado achando que estou perdendo tempo, afinal, eu devia estar trabalhando “batendo cartão”.
    Não sei se tem muita relaçao com o post, mas isso esta me incomodando faz tempo hahahahha

  3. Cecília Sousa

    17 de novembro de 2015 at 14:08

    Oi, My. Adorei o artigo. Li há pouco tempo esse artigo sobre escola que você cita. Como mãe e educadora me interesso muito sobre o assunto. A esmagadora maioria dos "manuais" de educação infantil insiste na ideia de que rotina é fundamental. Eu sempre tive uma pulga atrás da orelha com isso, mas nunca pude comprovar e sempre tive receio de testar com meu filho ("vai que dá muito errado" lol). Mas optamos por não colocá-lo na escola cedo e nossa vida não segue uma rotina fixa. Não conseguimos, não gostamos, não convém com nossa escolha profissional. E, sinceramente, tem dado certo, globalmente. Percebi apenas que era fácil demais me distrair no início do dia de trabalho e passar tempo demais na frente do computador. A falta de rotina do meu filho atrapalhou um pouco o sono dele. Na verdade o nosso. Pois ele dormia bem, o quanto queria, mas quando queria e isso nos atrapalhava às vezes. Acho que rotina foi um mecanismo usado pra controle. Muito mais fácil a vida se você souber exatamente o que vai fazer. E nas escolas também é muito mais fácil controlar um grande número de crianças graças à rotina. Mas e cadê o espaço pra criatividade, pro auto-conhecimento e pra aprendizagem de tomar decisões? Percebi que as pessoas passam a vida sem ter a chance de realmente tomar decisões por elas mesmas. E acho isso ruim. POr isso aqui em casa, tento dar cada vez mais pro meu filho opções de escolha (desde o que quer comer a qual livro ler). Claro que tudo dentro de um quadro que eu julgo bom pra ele. Não vou perguntar se ele quer chocolate ou banana. Vai mais pra: quer banana ou pêra? rsrs Por outro lado, pois tudo é uma questão de equilíbrio, adotei algumas rotininhas flexíveis pra vida não sair completamente do meu controle. Então agora meu filho tem hora pra dormir e acordar, por exemplo. E conto o tempo de trabalho e a produtividade (só pra me manter consciente do quanto e como estou trabalhando). E cronometro o tempo daquele passeio (eterno) nas mídias sociais antes do trabalho. Gosto dessa liberdade porque nos estimula a frequentemente nos questionar sobre o que fazemos, como e por que. (poxa, escrevi demais. vou botar no meu blog lol)

  4. Natália Mastrela

    17 de novembro de 2015 at 11:47

    Há mais ou menos um ano larguei um “empregão” para viver das coisas que crio (design e ilustrações). No começo eu também tinha a sensação de estar perdendo tempo, sentia que estava todo mundo ralando e eu lá em casa, podendo parar tudo no meio do dia para assistir um filme ou tirar uma hora pra fazer algo que dê vontade. Hoje, percebo que nunca estive tão produtiva na vida, lembro que quando era funcionária, o máximo que conseguia estar focada era umas 3 a 4 horas. Também não me arrependo de ter tomado essa decisão de não ter um emprego formal, e o meu maior ganho foi o aumento da minha qualidade de vida!

  5. Daniele

    17 de novembro de 2015 at 14:56

    Aí que legal o seu texto!
    Tô me preparando para viver isso, me sinto bem sufocada pela falta de tempo, mas todo tempo livre que eu tenho, se eu não estiver fazendo nada eu já fico “gente, mas como assim eu tenho tempo livre?”. Haha Já me vejo estranhando poder ter tempo para fazer as coisas que eu gosto, mas acho que faz parte (estamos criando uma nova forma de ser produtivos).
    Parabéns pelo blog :) (ah também tenho um o cmykativo.com.br)

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